Projecto Reflorecer

Projecto Reflorescer

O projecto Reflorescer inscreve-se como uma proposta de trabalho a realizar junto dos menores em conflito com a lei no Bengo, por meio da intervenção no âmbito da reeducação, ressocialização reinserção e prevenção da reincidência do crime.

Deseja-se intervir em articulação com as instituições públicas vocacionadas no acompanhamento do menor em conflito com a lei, tais como o INAC, por meio do Conselho Tutelar e SIC por meio do Departamento de apoio ao menor em conflito com a lei. Tal intervenção não será circunscrita apenas aos menores, mas às respectivas famílias e também por sugestão do próprio INAC, à crianças vítimas de violência doméstica (física, moral, psicológica, patrimonial e sexual).

Considerando que o INAC e o SIC referem encontrarem grandes dificuldades na implementação de medidas socioeducativas decretadas pelo julgado de menores achamos ser este um espaço fundamental de intervenção que nos permite como Instituição Pedagógica, actuar por meio daquilo que já constitui o fim desta instituição, educação e ensino. Contribuindo dessa forma, por meio de acções educativas e culturais diversificadas e articulando de forma multidisciplinar os vários cursos da ESPB na reeducação, ressocialização e reinserção destas crianças; na prevenção da reincidência do crime e ainda no acompanhamento de crianças vítimas de todos os tipos de violência doméstica.

O projecto também servirá como veículo de criação de uma rede integrada de apoio aos menores, tratando para isso de mapear todos os serviços públicos e da comunidade civil dispostos a colaborar na oferta deste apoio, por forma a garantir que as nossas acções ocorram articuladas aos dispositivos já existentes na comunidade (escolas de artes e ofícios, cursos profissionalizantes, igrejas, comissões de moradores, associações, ATLs, órgãos públicos, etc.).

Objectivos

Geral

Trabalhar na reeducação, ressocialização e reinserção de menores em conflito com a lei e no apoio psicossocial de crianças vítimas de violência doméstica.

Específicos

  • Realizar dois cursos de extensão universitária em aplicação de medidas socioeducativas com menores em conflito com a lei
  • Realizar um curso de extensão universitária em atenção psicossocial à vítima de violência sexual infantil com estudantes da ESPB participantes do projecto Reflorescer;
  • Realizar um curso de extensão universitária em atenção psicossocial à vítima de violência sexual infantil com profissionais do INAC e do SIC (Departamento de atenção ao menor em conflito com a lei);
  • Criar uma rede de apoio psicossocial à menores em conflito com a lei e suas famílias;
  • Identificar as actividades de reeducação, ressocialização e reinserção a realizar com menores em conflito com a lei.

Metas

Criar um espaço de transversalização e articulação de conhecimentos teóricos envolvendo os estudantes na resolução do problema da reeducação, ressocialização e reinserção de menores em conflito com a lei;

Desenvolver nos alunos habilidades de um educador popular;

Apoiar o INAC na implementação de medidas sócioeducativas para menores em conflito com a lei, bem como no atendimento psicossocial às vítimas de violência sexual infantil;

Elaborar artigos científicos de reflexão crítica sobre a prática dos programas desenvolvidos no projecto;

Elaborar 4 trabalhos de fim de curso por ano.

Organizar um fórum nacional de boas práticas de reeducação e ressocalização de menores em conflito com a lei.

Criar um banco de boas práticas sócio educativas com menores em conflito com a lei.

Elaborar um manual de boas práticas sócio educativas para menores em conflito com a lei.

Metodologias

Faremos recurso às Metodologias Participativas, pois as mesmas garantem que os sujeitos participem como actores do processo e não somente como receptáculos de informações e conhecimentos. Neste enfoque metodológico valorizam-se impressões, conhecimentos e experiências dos actores fazendo-os tomarem parte das discussões e da busca de soluções para problemas do seu quotidiano.

Ecologia dos saberes: a construção de diálogos entre o saber universitário e os não-universitários. (populares e tradicionais).

 

Pesquisa-acção: esta reflete uma actuação sistemática e planificada, com caráter social, educativo e técnico. Tem a qualidade de permitir que quem participa investigue sua própria prática de uma forma crítica e reflexiva. Envolvem-se de forma conjunta investigadores e pesquisados mobilizados na resolução de problemas e busca de estratégias de solução dos desafios.

Estratégias de intervenção

Rodas de conversa e círculos de cultura: podemos considerar as rodas de conversa, como uma estratégia metodológica de comunicação democrática, dinâmica e produtiva entre sujeitos diversos. Funciona como uma caixa de ressonância colectiva que possibilita a criação de espaços de diálogo, onde os participantes podem expressar-se livremente escutando os outros e a si mesmos. Por meio desta estratégia estimula-se a autonomia por via da troca de informações e da reflexão-acção. É um espaço de troca de experiências, produção, discussão e divulgação de conhecimentos colectivamente.

Os Círculos de Cultura estão fundamentados em uma proposta pedagógica com características radicalmente democráticas e libertadoras, sustentadas pela ideia de uma aprendizagem integral, que rompe com a fragmentação e requer uma tomada de posição perante os problemas vivenciados em determinado contexto. Tem tal qual a roda, o propósito de promover a horizontalidade na relação educador-educando e a valorização das culturas locais, da oralidade, contrapondo-se em seu carácter humanístico, à visão elitista de educação (Freire, 1991).

Dinâmicas psicológicas de grupo: agrupam técnicas psicológicas diversificadas que promovem a integração entre sujeitos e ajudam a melhorar o processo de socialização e ressocialização dos envolvidos, por meio de uma comunicação baseada numa articulação entre os domínios psicomotor, cognitivo e o afectivo.

Expressão e produção artística (escrita, cinema, teatro, música): diz respeito à toda e qualquer forma de expressão por meio da arte, inclui formas consideradas por alguns como arte marginal, por exemplo, a pichação e outras artes de rua.

Teatro do oprimido: técnica de dramaturgia cujo propósito é por meio do teatro estabelecer um diálogo de transformação da realidade. O criador desta técnica (Augusto Boal) sugere que o espectador crie sua própria revolução sem delegar papéis aos personagens, fazendo-o tomar consciência da sua capacidade de se tornar autônomo diante da realidade quotidiana, caminhando para a sua libertação psicológica e social.

Intervenção psicoeducativa: técnica que tem como propósito oferecer informações ao sujeito  sobre a natureza da sua condição ou problema, bem com as opções de tratamento, visando melhorar as habilidades de manejo da condição, aumentar o compromisso a intervenção, reduzir a duração e/ou intensidade do problema e neste caso específico, a possibilidade de reincidências do crime.

Reestruturação cognitiva: esta técnica pode ser utilizada para ajudar o sujeito a substituir pensamentos e ideia e comportamentos considerados desajustados, por outros considerados ajustados.

Actividades desenvolvidas

Cursos de aplicação de Medi-das Socioeducativas com Menores em Conflito com a Lei

Cursos de Atenção Psicos-social à Vítima de Violência Sexual Infantil

Actividades de Reeducação, Ressocialização e Reinserção social